sábado, 5 de junho de 2010




Uma mensagem para reflexão.
Espero que gostem!!!



A Alma dos Diferentes
Artur da Távola

Ah, o diferente, esse ser especial!
Diferente não é quem pretenda ser.
Esse é um imitador do que ainda não foi imitado,
nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado
de alguns mais e de alguns menos em hora,
momento e lugar errados para os outros.
Que riem de inveja de não serem assim.
E de medo de não agüentar,
caso um dia venham a ser.
O diferente é um ser sempre
mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato.
Mas é sempre confundido
por pessoas menos sensíveis e avisadas.
Supondo encontrar um chato
onde está um diferente,
talentos são rechaçados;
vitórias, adiadas;
esperanças, mortas.
Um diferente medroso, este sim,
acaba transformando-se num chato.
Chato é um diferente que não vingou.
Os diferentes muito inteligentes
percebem porque os outros
não os entendem.
Os diferentes raivosos
acabam tendo razão sozinhos,
contra o mundo inteiro.
Diferente que se preza entende
o porquê de quem o agride.
Se o diferente se mediocrizar,
mergulhará no complexo de inferioridade.
O diferente paga sempre o preço de estar -
mesmo sem querer -
alterando algo, ameaçando rebanhos,
carneiros e pastores.
O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual,
a inveja do comum, o ódio do mediano.
O verdadeiro diferente
sabe que nunca tem razão,
mas que está sempre certo.
O diferente começa a sofrer cedo,
já no primário, onde os demais, de mãos dadas,
e até mesmo alguns adultos,
por omissão, se unem para transformar
o que é peculiaridade e potencial
em aleijão e caricatura.
O que é percepção aguçada em:
"Puxa, fulano, como você é complicado".
O que é o embrião de um estilo próprio em:
"Você não está vendo como todo
mundo faz?"
O diferente carrega desde cedo apelidos
e marcações os quais acaba incorporando.
Só os diferentes mais fortes do que o mundo
se transformaram (e se transformam)
nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso.
O que sente antes mesmo dos demais
começarem a perceber.
Diferente é o que se emociona
enquanto todos em torno,
agridem e gargalham.
É o que engorda mais um pouco;
chora onde outros xingam;
estuda onde outros burram.
Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem.
Sonha entre realistas.
Concretiza entre sonhadores.
Fala de leite em reunião de bêbados.
Cria onde o hábito rotiniza.
Sofre onde os outros ganham.
Diferente é o que fica doendo
onde a alegria impera.
Aceita empregos que ninguém supõe.
Perde horas em coisas que
só ele sabe importantes.
Engorda onde não deve.
Diz sempre na hora de calar.
Cala nas horas erradas.
Não desiste de lutar pela harmonia.
Fala de amor no meio da guerra.
Deixa o adversário fazer o gol,
porque gosta mais de jogar do que de ganhar.
Ele aprendeu a superar riso,
deboche, escárnio,
e consciência dolorosa de
que a média é má porque é igual.
Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados,
magros demais, inteligentes em excesso,
bons demais para aquele cargo,
excepcionais, narigudos, barrigudos,
joelhudos, de pé grande, de roupas erradas,
cheios de espinhas, de mumunha,
de malícia ou de baba.
Aí estão, doendo e doendo,
mas procurando ser, conseguindo ser,
sendo muito mais.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes
que eles guardam para os pouco capazes
de os sentir e entender.
Nossas moradas estão
tesouros da ternura humana.
De que só os diferentes são capazes.
Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte
para suportá-lo depois.





domingo, 16 de maio de 2010

Releitura


Segundo Heleny Galati * (MASP) "a diferença entre Releitura e cópia é a seguinte: na cópia você reproduz fielmente (ou pelo menos tenta) o quadro do artista. É isso que os falsificadores fazem. Neste caso você está apenas preocupado com o poder de observação e capacidade para copiar que seu aluno tem. Já a Releitura implica em produzir aquilo que se entendeu da obra, sem preocupações com semelhanças. É o sentimento se aliando à observação na produção de um trabalho."



Fiz um trabalho com meus alunos de 4º ano (3ª série), que foi muito legal. Primeiro contei resumidamente a vida do pintor Leonardo da Vinci, e depois mostrei algumas obras. Dentre elas, a famosa Mona Lisa. Fizemos a leitura oral do que era visto, as cores, a cena.
Depois pedi que os alunos reproduzissem do jeito deles o que eles estavam vendo. E o resultado foi incrível. Pois, a releitura dos alunos é natural. Por mais que eles tentem "copiar" a obra, acabam colocando seus detalhes, seu modo de ver a obra de forma particular.



 





Foi feita a releitura utilizando lápis de cor e canson. Mas, poderia utilizar várias técnicas, vários materias. Por exemplo, recorte e colagem, tinta, montagem de figuras de revista, etc.

Com outra turma trabalhei  as obras do Romero Britto. 
As crianças gostam muito de trabalhar, eles se familiarizam com as cores, com os traços, com os desenhos que o pintor utiliza.



Lápis de cor e tinta plástica.


Também trabalhei auto-retrato, pedindo para que eles brincassem com as formas, os traços utilizados pelo artista.


Auto - retrato - Romero Brito

Auto - retrato - Aline Barcelos

Com o tangram uma vez utilizaram as caracterísitcas do autor para ilustrar as peças e montar o seu quebra cabeça.



 
Releitura Romero Britto - Tangran - Aline Barcelos

Deixo alguns modelos do quebra - cabeça para vocês trabalharem com os alunos na sala de aula.


Trabalhando auto - retrato, em um curso,  o Professor mostrou obras de dois pintores, Pablo Picasso e Van Gogh.


Auto - retrato - 1907 - Pablo Picasso

 
Auto - retrato - 1889 - Vicent van Gogh



E depois pediu para que fizessemos uma releitura, unindo as duas produções.
Então, trabalhei com estilete, recortando os contornos, os olhos e a boca. E com a esferográfica preta, reforcei os traços cubistas característicos do pintor Pablo Picasso.


Releitura Auto - retrato - Aline Barcelos


Esse trabalho dá para ser feito com os alunos, utilizando a obra impressa, ou com revistas, com recorte e colagem, tinta, etc.


Espero que tenha dado algumas idéias para vocês!!



Ah, não esqueçam de expor o trabalho realizado, é muito importante para o aluno ver ser trabalho valorizado.
Isso os-deixa motivados para continuar a criar.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dia das Mães


 Essa semana vou deixar algumas sugestões para o Dia das Mães.
Posto algumas obras relacionadas ao tema.

 The Madonna Litta - Leonardo da Vinci - 1490


Méres et enfants - Jaques Beaumont - 2001


Mãe - Romero Britto

Posto algumas idéias de cartões e presentes a serem confeccionados com os alunos:




Cartão coração - flor. Pode se escrever uma mensagem, um adjetivo ou um desenho para mãe em cada pétala da flor.

 

Esse cartão fica lindo. Vou confeccionar com eles esse ano.



Esse vasinho pode ser a capinha do cartão.
Foi desenhada e recortada cada uma dessas florzinhas, e coladas apenas o miolinho. As pétalas ficam soltas dando um efeito maravilhoso.



Esse foi um presente que fiz o ano passado com as crianças. Pedi para que eles trouxessem folhetos de mercado. Recortamos as figuras e fizemos um mosaico. Depois plastificamos com cola.
Na capa de dentro, vestimos os alunos de cozinheiros e colocamos a foto na primeira folha.
O marcador foi uma colher de pau, feita com papel pardo.

Vocês podem usar  a mesma idéia, e fazer um caderno de anotações, agenda de telefone. Em vez de usar folheto de mercado, papéis de presente floridos dá um ótimo efeito.

Mensagens





domingo, 18 de abril de 2010

Parlendas

"Uma forma literária tradicional, rimada com caráter infantil, de ritmo fácil e de forma rápida. Usada, em muitas ocasiões, para brincadeiras populares. Normalmente é uma arrumação de palavras sem acompanhamento de melodia, mas às vezes rimada, obedecendo a um ritmo que a própria metrificação lhe empresta. A finalidade é entreter a criança, ensinando-lhe algo. 
Algumas vezes, é chamada de trava-línguas, quando é repetida de forma rápida ou várias vezes seguidas, provocando um problema de dicção ou paralisia da língua, que diverte os ouvintes. Assim, pede-se a alguém que repita uma parlenda, em prosa ou verso, de forma rápida - "fale bem depressa" - "diga correndo" - ou que a repita várias vezes seguidas - "repita três vezes".
As parlendas não são cantadas e, sim, declamadas em forma de texto, estabelecendo-se como base a acentuação verbal.
Os portugueses denominam as parlendas cantilenas ou lengalengas. Na literatura oral é um dos entendimentos iniciais para a criança e uma das fórmulas verbais que ficam, indeléveis, na memória adulta

wikipédia

Uma coisa que alegra crianças de várias idades são as Parlendas.
Trouxe primeiramente a definição do que são as parlendas. É muito importante permear nosso trabalho.
De acordo com a idade, também apresentar o significado para os aluno.

Quando trabalhei as parlendas, primeiro, reuni os alunos em roda e recitamos alguns versos conhecidos. Muitos participaram, quem não conhecia, depois de um tempo passou a se familiarizar. Todo dia em algum momento da aula recitavamos as parlendas.

Existe muitas formas de trabalhar com parlendas. Pode se trabalhar com o texto, lacunar para os alunos completarem com o que falta. Também, fazer produção coletiva, pedindo para que todos escrevam e depois reproduzi-la na lousa e trabalhar a estrutura, etc.

Preferi desta vez ilustrar algumas parlendas:

Trago algumas sugestões:

A parlenda dos dedos, pedi para eles traçarem e recortarem o contorno de uma das mãos. E em cada dedinho escrever um trecho da parlenda. Colamos apenas a palma da mão na folha e deixamos os dedinhos soltos, e fechados. Conforme recitamos a parlenda, fomos abrindo os dedinhos.
Eles amaram!!!





Com a parlenda "Um, dois feijão com arroz", os alunos ilustraram as partes como quiseram.



Pode-se trabalhar também, dependendo da série e do objetivo número e quantidade com essa parlenda.


 Com a parlenda "Cadê o toucinho?",  pedi para os alunos desenhar e pintar cada trecho da historinha.



 
(Júlia Beatriz - 8 anos)

E depois fizemos um livrinho sanfonado. Em cada folha uma parte da parlenda foi escrita, e depois dobrada em zigue-zague.

Outra parlenda que fizemos, foi  "Hoje é Domingo". Dei papel colorido para eles, e pedi para que eles com recorte e colagem fizessem a ilustração.





 Achei esse vídeo no youtube.
Quem quiser, fica a sugestão.


 

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Dia do Índio - 19 de Abril

Dia do Índio


 

Encontrei na Wikipédia a origem da data do Dia do Índio. Gosto muito de trabalhar a origem, a história de cada data comemorativa. Por isso, posto para vocês também, para que antes de trabalhar com os alunos as atividades relacionadas, apresente o por quê da comemoração. 

O Dia do índio, 19 de abril, foi criado pelo presidente Getúlio Vargas através do decreto-lei 5540 de 1943, e relembra o dia, em 1940, no qual várias lideranças indígenas do continente resolveram participar do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. Eles haviam boicotado os dias iniciais do evento, temendo que suas reivindicações não fossem ouvidas pelos "homens brancos". Durante este congresso foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, que tem como função zelar pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente ao instituto, mas após a intervenção do Marechal Rondon apresentou sua adesão e instituiu o Dia do Índio no dia 19 de abril.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Como meu TGI (Trabalho de Graduação Integrada), o tema foi "Valoração e Educação Ambiental", pude conhecer um pouco mais da cultura indígena. E encontrei esse texto maravilhoso, do Daniel Munduruku, que dá para ser trabalhado com os educandos que estão no 4º e 5º anos do Ensino Fundamental:


Esse texto traz a reflexão sobre a diversidade cultural, a importância que o índio e que todos nós devemos dar à mãe natureza, o respeito pelo próximo, dentre outros valores.

Linguagem

E importante ressaltar com os educandos a contribuição do povo indígena para com a nossa língua. Existem muitas palavras que utilizamos em nosso dia - a - dia que são de origem indigena. Então por quê não criar um dicionário com os educandos, mostrando o significado dessas palavras?
Para ajudar, coloco uma música que dá para começar esse trabalho com os pequenos.
Tu tu tu tupi
Hélio Ziskind

História

Com os alunos que estão no final do primeiro ciclo do Ensino Fundamental, dá para trabalhar a interpretação da música Índios, Legião Urbana, fazendo a ligação com os fatos da história.

Índios
Legião Urbana

 


Como por exemplo: 

Mostrando os interesses da Colônia Portuguesa de "comprar" os índios e explorar Terra brasileira.

" Quem me dera
Ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro
Que entreguei a quem
Conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora
Até o que eu não tinha"

A mudança de destino do povo indígena.

 "Quem me dera
Ao menos uma vez
Explicar o que ninguém
Consegue entender
Que o que aconteceu
Ainda está por vir
E o futuro não é mais
Como era antigamente"
 
A ganância do homem;
 
"Quem me dera
Ao menos uma vez
Provar que quem tem mais
Do que precisa ter
Quase sempre se convence
Que não tem o bastante
Fala demais
Por não ter nada a dizer".

O simples do índio, a vida plena com a natureza.
As doenças que o índio passou a ter com a chegada  do homem branco, e a doença física do "mundo".

"Quem me dera
Ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente".

A catequização dos índios.

"Quem me dera
Ao menos uma vez
Entender como um só Deus
Ao mesmo tempo é três
Esse mesmo Deus
Foi morto por vocês
Sua maldade, então
Deixaram Deus tão triste".


Com os educando do 1º ao 3º ano, dá para trabalhar o mesmo tema utilizando a música Pindorama, Palavra Cantada. Que trata da chegada dos Portugueses ao "Novo Mundo".

http://www.youtube.com/watch?v=hpgaeO5it08
Pindorama
Palavra Cantada



Arte

Existem também obras que podem ser mostradas e exploradas pelo professor na sala de aula.

Macunaíma - Tarsila do Amaral - 1956


Dança dos Tapuias - Albert Eckhout - 1686

A leitura da tela, as cores, a interpretação da cena, e costumes indígenas são alguns passos sugeridos.
É legal incentivar, por exemplo, uma reeleitura como fez  Maurício de Souza.


Dança do Papa Capim - Maurício de Souza -1991


Matemática

Em Matemática trabalhar Dezena utilizando a música dos Indiozinhos.

Dá para ilustrar a música, pedindo para que os alunos criem rotinhos, mãozinhas, pezinhos e colem em palitos de sorvete. E quando cantar a música, irem colocando os indiozinhos dentro de um barquinho de papel. Assim trabalha a quantidade de forma concreta.



Esse ano vou trabalhar a arte indígena. Com argila vou pedir para que eles criem esculturas, e depois pedir para que eles pintem.
Depois posto o resultado do trabalho.